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Ressignificar : A arte de mudar o quadro de uma mesma imagem

Mulher fazendo um quadro com a mão. O que pode significar a ressignificação: 
Alterar a perspectiva de uma situação.

Ressignificar é a habilidade de criar novos quadros para uma mesma imagem.

Você pode encontrar o termo com outras nomenclaturas, como “Reframing” ou  “Reenquadramento cognitivo.”

Mas a ideia no final das contas é a mesma : 

Olhar a vida de uma outra perspectiva.

Logo abaixo, trouxe um “guia de ressignificação”.

Nele, você poderá entender como funciona o processo para várias áreas da sua vida. Descubra como ressignificar seu passado, seus sentimentos, suas crenças etc.

E aprenda também 3 técnicas utilizadas por terapeutas cognitivos que irão ajudá-lo nesta tarefa.

Se você se interessou pelo assunto e quer aprender a ressignificar sua vida, me acompanhe neste artigo !

O que significa “Ressignificação”

Basicamente, é olhar determinada circunstância de uma perspectiva diferente. Bem como enxergar uma mesma imagem com outra lente. Você pode perceber seu carro de duas formas diferentes. Por exemplo:

“Ele é velho, ruim, vive dando problema, está feio, ultrapassado etc”.

Ou, você pode atribuir a ele um novo significado:

“Ele cumpre minhas expectativas, evita que eu pegue ônibus, me faz economizar tempo, entre outros fatores”.

Enxergando o carro sobre duas lentes:
A primeira em tom vermelho. Onde o carro é ruim.
E a outra lente sob a cor verde, onde o carro é bom

No entanto, a ressignificação não se limita apenas a objetos. Relacionamentos, crenças, dores e desejos, por exemplo, podem passar pelo processo. Tudo que cerca sua vida pode ser ressignificado.

“Não são as coisas que nos incomodam, mas nossos julgamentos sobre as coisas” .

Epicteto

Mostrando, em síntese, como é importante ter outros julgamentos sobre determinada situação.

Como me ressignificar

A princípio, o primeiro passo é entender que existem diversas interpretações para uma única situação. Nada é absolutamente concreto, você pode dar o significado que quiser a qualquer circunstância, seja ela boa ou ruim.

O segundo passo é saber no que você precisa dar atenção…

Do externo para o interno, você ressignifica :

  • Pessoas
  • Sentimentos
  • Crenças

E no tempo, você só pode ressignificar o passado.

Como ressignificar: Pessoas, Sentimentos e Crenças. E no tempo: 
Passado, presente e futuro.

Ressignificando pessoas

“O essencial na vida não é o que fizeram com você, mas o que você faz com o que fizeram com você” .

Jean Paul Sartre

Bem semelhante à frase de Epicteto no início do post, não ?!

Dessa forma, o processo de ressignificação pode ser atribuído a tudo. Coisas, pessoas e sentimentos. E a idéia fundamental é sempre a mesma: 

Qual sentido você atribui ao que acontece na sua vida.

Lidar com pessoas pode ser uma tarefa árdua em algumas situações. Seja seu chefe, o parceiro de trabalho preguiçoso ou até mesmo o tio inconveniente das festas de fim de ano.

Do mesmo modo que é difícil lidar com o sentimento ruim causado por uma pessoa, ou perceber que ela só te procura quando precisa.

E como podemos ressignificar tudo isso? 

Antes de mais nada, entenda que na vida existem dois tipos de pessoas:

Incontornáveis

Contornáveis

Incontornáveis

O primeiro grupo é reservado aos seus familiares, ou pessoas do seu ambiente de trabalho. De modo geral, são as pessoas que você não pode escolher.

Compreenda que aqui não tem muito para onde fugir, apenas aceite que são pessoas incontornáveis. Por outro lado, entenda que você vai lidar com seu chefe apenas durante o expediente, e aprenda a não levar o estresse causado no trabalho para casa.

Mas no caso dos familiares, tenha um pouco mais de atenção. Diferente do seu chefe – que pode ser temporário – seus familiares não são. Em conflitos familiares ninguém sai ganhando. Você até pode sair com a razão, mas perde muito emocionalmente.

De acordo com a Bíblia, José do Egito foi vendido como escravo por seus próprios irmãos. E mesmo assim, anos mais tarde, quando os encontra novamente –  já como governador do país mais importante do mundo antigo – José os recebe em seus aposentos e fornece tudo que eles precisam. Sem rancor e sem desejo de vingança. 

José não queria prejudicar sua própria vida com estes sentimentos. Afinal, ele tinha foco apenas em ser feliz.

Assim, reconheça que existem pessoas incontornáveis, aceite isso, e seja feliz.

Contornáveis

Aqui estão as pessoas que você encontra no dia-a-dia. 

Algumas facilitam, e outras dificultam. Por exemplo :

Existem pessoas que estão sempre sorrindo enquanto trabalham, e ajudam mesmo que o problema não seja relacionado a elas.

E outras que dificultam. Estas estão sempre de mau humor e não procuram ajudar os outros desinteressadamente. 

Lidar com o primeiro caso é mais fácil.

E com o segundo ?

Nessas ocasiões, nosso impulso primário é julgar o comportamento de outra pessoa. O que é fácil. No entanto, você já parou para pensar que esta pessoa possa estar tendo um dia ou estar vivendo um momento ruim? 

Se colocar no lugar do próximo é um exercício difícil e que exige compaixão diversas vezes.

Da mesma forma que você  tem um dia ruim e quer ter o seu espaço, pessoas também são assim. Você, às vezes, só tem o azar de cruzar com essas pessoas nessas oportunidades.

Outro caso muito comum são de pessoas que “não levam desaforo para casa” quando entram em conflito no trânsito, por exemplo.

Mas qual a vantagem disso ?

“Me sinto mais leve” pode ser uma resposta.

Entenda que muitas pessoas passam pela sua vida. Poucas permanecem, mas todas te ensinam algo.

Ressignificando sentimentos

Culpa

Certamente o sentimento de culpa está muito envolvido com a autocobrança. E na maioria dos casos, nos sentimos culpados por algo que não está totalmente sob nosso controle. Para facilitar o entendimento, veja a seguinte história…

Maurício realiza uma festa de fim de ano em casa, e decide convidar Henrique.

Henrique então convida Renato com permissão de Maurício. Todos se divertem e a festa está tranquila até que Maurício percebe o sumiço de um talher de prata, que para ele, tem um valor emocional enorme.

Mauricio então interrompe a festa até que se ache seu precioso talher.  Mais tarde se descobre que Renato o roubou.  

A situação deixa Henrique totalmente constrangido. Que então começa a pensar:

Estes pensamentos passam a gerar um sentimento de culpa horrível em Henrique. 

Você pode me dizer que é normal sentir culpa nessas situações. Até porque quem convidou foi Henrique. 

Mas entenda que Henrique não tem controle sobre as atitudes de outras pessoas. Do mesmo modo, isso pode acontecer com você ! 

Compreender isso é fundamental para ressignificar este tipo de culpa.

Você não tem controle sobre tudo que acontece à sua volta. E muito menos sobre outras pessoas. 

Logo, tenha mais empatia por si mesmo.

“Visualize a criança”

Visualizar a criança é um exercício de empatia por si mesmo mostrado no livro “inteligência positiva” do Shirzad Chamine.

Se você for a um parquinho e observar uma criança de 5 anos brincando na gangorra, você naturalmente sentirá um pouco de empatia e afeto por ela.

Não Tenho uma explicação exata para isso, mas acredito que o fato se deve à inocência de uma criança. Você não vê culpa quando olha para uma.  

Crianças nos transmitem uma energia leve e despreocupada. 

Por isso, é quase impossível você visualizar uma criança por dois minutos e não se sentir bem. 

Você pode usar este fato para se imaginar criança novamente, e sentir empatia e afeição por você mesmo. Em primeiro lugar, Visualize-se criança em um local que você gostava bastante. Além disso, escolha uma imagem vívida e detalhada que desencadeia sentimentos de amor e empatia.

Dessa forma, você pode recuperar algumas fotos de sua infância, e deixá-las por perto sempre que se sentir muito pressionado por sentimentos de culpa e autocobrança. O benefício é quase instantâneo.

Perdas

Em 1980, Candy Lightner perdeu a filha, Carli,  de 13 anos, vítima de um acidente de carro.  O motorista estava bêbado e já tinha sido condenado três vezes antes por dirigir sob influência de álcool. De longe, a maior perda que alguém pode sentir.

Muitas pessoas viveriam como vítimas o resto da vida, mas não foi o caso de Candy.

Dias depois do ocorrido, Candy fundou a Mothers Against Drunk Driving (MADD), ou “Mães contra Direção Embriagada”.

Dessa forma, ela transformou a tragédia da morte da filha em um programa que acabaria salvando inúmeras vidas no futuro. 

Certamente, esse caso extremo nos mostra que até na pior das perdas, você pode atribuir um novo significado à circunstância. Algo que hoje é doloroso, pode se tornar a semente de algo muito benéfico anos mais tarde.

Ressignificando Crenças

Antes de mais nada, vou dedicar um espaço maior para as crenças, por serem as mais difíceis de trabalhar.

Ainda mais porque elas guiam nossos pensamentos e sentimentos, e estão intimamente ligadas aos nossos resultados.

“O que são crenças ?”

Como o próprio nome já diz, é aquilo em que se acredita.

Quando passamos por alguma experiência, esta fica gravada no nosso subconsciente. E como resultado, quanto mais expostos a essa experiência somos, mais reforçamos nossas crenças.

Por exemplo: 

Imagine que João nasce em um ambiente precário, e ao mesmo tempo cresce com pais agressivos e abusivos, e que constantemente é exposta a violência, tanto física como verbal. 

Como qual conjunto de crenças você acha que João crescerá ?

João dificilmente acreditará que existe amor, e que ele pode ser bem tratado. Ele poderá crescer e se tornar tão agressivo como seus pais foram, porque para ele, isso já faz parte dele, está no seu subconsciente.

Você já viu uma história parecida?

Este é apenas um exemplo de crença (limitante, no caso). Mas existem outras muito comuns…

  • “nunca vou ser feliz com alguém”
  • “não sou bom o suficiente”
  • “Eu não as mereço coisas boas que me acontecem”
  • “Não consigo aprender isso”
  • “Dinheiro não traz felicidade”

Todas essas experiências acima, se forem repetidas com frequência e intensidade, podem, como resultado, reforçar crenças existentes. 

Mas como podemos ressignificar isso?

Vamos voltar ao exemplo de João :

Ele realmente acredita que não existe outra forma de lidar com as pessoas, sem ser agressivo. Atribui a culpa a tudo que te acontece porque na infância ele foi desprezado pelos pais.

Mas as coisas começam a mudar quando João conhece Luiz em uma palestra.

Luiz é uma pessoa que passou por problemas semelhantes ao de João. 

Igualmente a João, Luiz apanhava dos pais e constantemente era rebaixado pelos próprios, ouvindo que nunca seria alguém na vida.

Só que diferente de João, Luiz atribuiu um novo sentido à sua vida. Dessa forma, ressignificou suas antigas experiências e hoje não carrega rancores do passado.

Logo, João então passa a acreditar que tudo pode ser diferente. Que suas experiências passadas não definem quem ele é hoje, e em quem ele pode se tornar no futuro.

Exemplos reais

160, 165, 185 e 190.

O que estes números representam ? 

Representam os Quocientes de Inteligência (Q.I.) estimados de Einstein, Darwin, Galileu e Newton, respectivamente. De acordo com a pontuação, se você tem o Q.I. acima de 141 você é considerado gênio

Como você se sentiria se tivesse um Q.I desses? 

E melhor…

Se tivesse um QI de 195 pontos ? Chris Langan é o detentor deste Q.I.

Quociente de Inteligência: Primeiro, Einstein com 160, Darwin, com 165, Galileu com 185, Newton com 190, e por fim Chris Langan com 195.

Apesar de ter os números mais elevados do que o de grandes estudiosos, Chris não realizou nenhuma façanha grandiosa para ser lembrado. Não existem “3 leis de Langan” ou “Teoria da Relatividade” atribuídas ao seu nome.

Talvez você se pergunte…

“Por que uma pessoa com tamanha ‘inteligência’ não é reconhecido?”

Langan trabalhou como guarda florestal, em construção civil e como segurança de bar (nada contra esses tipos de serviços).

Mas o curioso neste caso é que Langan vivia de acordo com aquela famosa música “Deixa a vida me levar”. Ele não tinha um propósito maior na vida para trabalhar. Vivia sem metas claras e objetivos.

Por outro lado, Soichiro Honda, diferente de Langan, não tinha um Q.I. altíssimo e não era considerado tão inteligente. 

Então, por que o criador da Honda gerou mais impacto? 

Porque ele tinha propósito !

Em primeiro lugar, Soichiro tinha um objetivo claro e suas ações giravam em torno disso.

Em segundo lugar, Soichiro se matriculou no Instituto de Hamamatsu apenas para aprender a fabricar os anéis para os pistões dos carros . Ele foi atrás deste conhecimento, porque ele era necessário para realizar seu objetivo.

Pouco importava a ele um diploma. 

Essas duas últimas histórias mostram que não adianta você ter um Q.I. elevado se você não tem um objetivo definido de vida. 

Da mesma forma, muitas pessoas acreditam que para se tornarem alguém, precisam de um diploma (não que não seja importante), ou que suas notas baixas definem quem elas serão na vida.

Ter o Q.I. alto não significa absolutamente nada !

O objetivo desses três exemplos – João, Langan e Honda – é mostrar que crenças podem ser derrubadas com ajuda de histórias.

Quando você vê com seus próprios olhos algo que acreditava ser impossível, você começa a ressignificar suas próprias crenças.

Por muito tempo acreditei que minhas notas me definiam, e que se eu não tirasse notas altas e fosse “inteligente” poderia ser um fracasso na vida.

Ou seja, ter notas baixas reforçavam minha crença de ser incapaz.

Só muito tempo depois, histórias parecidas com as de Langan e Honda me deram outra perspectiva de vida.

Em conclusão, conhecer histórias de sucesso te ajudam no processo de ressignificação. Você passa a acreditar que é totalmente capaz e única pessoa responsável pelo seu futuro.

Ressignificando o passado

“Nossas memórias não são uma descrição objetiva do passado. Elas são uma ferramenta”.

Jordan B. Peterson

A única coisa que você pode fazer com o seu passado é transformá-lo em um instrumento, para que não cometa os mesmos erros no presente (e futuro).

Não vejo outra maneira de ressignificar o passado.

Acima de tudo, o propósito para nossas almas é aprender com as experiências para ganharmos sabedoria.

Primeiramente, você precisa transformar a experiência em lição. Não perca tempo pensando no que você poderia ter feito diferente. Além disso, se você se prender a estes pensamentos, poderá desenvolver sentimentos depressivos.

Aprendendo com o passado dos outros

Existe um ditado famoso que diz: 

Então aprenda com o erro de outras pessoas. Isso vai te economizar tempo e muita energia. 

Por exemplo:

Augusto tem uma loja no shopping. Ele passou por diversas experiências ao longo de 5 anos para estabelecer seu negócio. Cometeu muitos erros e agora carrega uma bagagem de conhecimento enorme.

Suas experiências passadas não o permitem cometer mais deslizes porque aprendeu com elas e agora tem um negócio estável.

Daniel por outro lado, está começando seu empreendimento, e também quer ter uma loja no shopping.

O que seria mais vantajoso a Daniel? 

Começar seu negócio sozinho, crescendo por tentativa e erro, tomando más decisões e se arrependendo no futuro, ou aprender com a experiência de Augusto?

O sonho de Augusto era ter algum mentor quando começou, para evitar diversos erros. Isso economizaria bastante energia.

Daniel não vai precisar aprender com seu passado no futuro. 

Ele pode aprender no presente, com o passado de outra pessoa. 

Entendeu ?

Em outras palavras : Existem diversas pessoas que já passaram por algo que você está passando hoje. Sua tarefa é aprender com os erros dessas pessoas para que não precise gastar sua energia futura pensando no que poderia ter feito. 

Não tente reinventar a roda, em diversas ocasiões você pode aprender com os outros.

 Reformule a pergunta do início do tópico de:

para:

Em síntese, ressignificar o passado pode ser uma tarefa simples quando você usa as ferramentas de outra pessoa.

Técnicas de Reenquadramento

Descatrastrofização

É a capacidade de descrever os fatos de forma mais realista. Sem catastrofizar os fatos. Aaron T. Beck, fundador da terapia cognitiva, aconselhava pacientes que sofriam de ansiedade a escrever “roteiros descatastrofizantes”.

De forma que descrevessem eventos angustiantes de forma concreta. Sem atribuir valor ou linguagem emotiva: 

“Meu casamento acabou, vida que segue”

“Meu casamento acabou, vou ficar sozinho(a) para sempre”

“Perdi meu emprego, agora vou procurar outro”

“Perdi meu emprego, e não há nada que eu possa fazer agora”

“O empreendimento deu errado, estudarei outro”

“Fui lesado por meu sócio, não devo confiar em ninguém”

Descatastrofização envolve reavaliar a gravidade de uma situação.

Já percebeu que quando estamos tristes com algo, temos a tendência de avaliar esta situação de maneira emotiva? 

Enquadrar a situação de forma mais realista envolve a seguinte pergunta: 

Além disso, a catastrofização também envolve o pensamento “E se ?”:

Já a descatastrofização envolve o pensamento “E daí ?” para driblar o “E se ?”:

Imperador Marco Aurélio e sua forma descatastrofizada de pensar.

Sob o mesmo ponto de vista, Paconius Agippinus – pensador estoico – costumava escrever cartas a si mesmo para se consolar sempre que aparecia algum obstáculo.

Diante de febre, calúnia ou exílio, ele compunha elogios estóicos. Agradecendo o surgimento de tais eventos como oportunidades para exercer a força de caráter.

Paconius era um verdadeiro mestre na descatastrofização.

Distanciamento Cognitivo

“O distanciamento diz respeito à capacidade de ver os próprios pensamentos (ou crenças) como construções da realidade, e não como a própria realidade” .

Alford e Beck, Integrative power of cognitive therapy

Passos

  • Anotar seus pensamentos de maneira concisa quando eles surgem, visualizando-os no papel (ou em um quadro)
  • Olha para eles, literalmente a distância
  • Adicione um prefixo a eles, com uma frase. Por exemplo: 
  • Referir-se a eles em terceira pessoa. Por exemplo:
  • Avaliar de maneira imparcial os prós e contras de optar por certa opinião.
  • Mudar de perspectiva e pensar em uma série de maneiras alternativas de olhar uma mesma situação. De modo que o ponto de vista inicial se torne mais flexível e menos rígido.
6 passos do distânciamento cognitivo

Do mesmo modo, você também pode ganhar distanciamento cognitivo apenas conversando com seus pensamentos e sentimentos. Por exemplo:

Como aconselhava Epicteto a seus alunos.

Modelagem

A princípio, modelagem geralmente é seguida de um ensaio mental de mudança de comportamento. Você se imagina agindo de forma semelhante a seus modelos, ou se vê seguindo os conselhos deles. 

Cristãos, por exemplo, modelam Jesus Cristo (ou deveriam, muitas vezes) .

Eles agem segundo as escrituras para desenvolver um caráter cristão.

Em determinadas situações eles podem se perguntar : 

Dessa forma, o exercício envolve escrever as virtudes exibidas por alguém que você admira. Listar as qualidades que mais aprecia em outra pessoa é um exercício simples e poderoso.

Exemplo de modelagem para você colocar no papel. Escolha uma pessoa e liste as melhores características que você vê nelas. Exemplo:
Jesus: Humildade, Honestidade e Tolerância

A lista acima é apenas um exemplo. A ideia é você elencar um número de pessoas que poderiam ser suas “mentoras”, e agir de acordo com seus ensinamentos. 

E quando estiver modelando essas pessoas, se pergunte: 

Este exercício exige uma série de tentativas. Pense nele como um aprendizado em que você também poderá errar. Faz parte do processo.

Bônus: Se beneficiando do caos

O símbolo da resiliência

Você já deve conhecer o termo “resiliência”. 

Caso não conheça, resiliência é a capacidade que um indivíduo tem de lidar com um problema, não ceder à pressão e dar a volta por cima

Da mesma forma, a pessoa neste caso, ao sofrer algum tipo de dano, pode ressignificá-lo e voltar a seu estado normal.

Geralmente a resiliência é representada pela Fênix, ser mitológico que representa o renascimento. A Fênix ressurge das cinzas da sua própria destruição, e volta ao seu estado normal. Assim como as pessoas que se autointitulam “resilientes”.

A fênix: Símbolo de resiliência

Pessoas que pensam dessa forma são admiráveis. Acima de tudo, lidam com o caos e se mantêm intactas.

Mas existe forma de nos beneficiarmos de todo o caos nas nossas vidas ? Qual a importância de preferir o caos ?

O antifrágil

Frágil x Resiliente x Antifrágil

Imagem Gráfica: O antifrágil se beneficia. O resiliente se mantém intacto e o Frágil é prejudicado.

De uma forma geral, qualquer processo evolutivo está relacionado com a antifragilidade. Quanto maior o dano, maior o crescimento.

O termo criado por Nassim Taleb, nos mostra a importância de agentes estressores para  nos aperfeiçoarmos. Outros exemplos de antifragilidade …

  • Músculo: O estresse causado pelo peso faz o músculo crescer.
  • Mitridização: Processo no qual doses crescentes de veneno são implantadas em seres vivos, para que estes desenvolvam anticorpos, resultando em uma imunidade elevada até para grandes doses.
  • Crescimento pós-traumático: Pessoas afetadas por acontecimentos passados se superam.

“Melhor” que resiliência

Já estamos de acordo que o resiliente sofre impacto e permanece o mesmo. E o antifrágil, por outro lado, fica melhor. 

E como mostrado no tópico inicial, a resiliência pode ser representada pela Fênix. 

Podemos ressurgir das nossas próprias cinzas e nos mantermos intactos aos danos.

E o que poderia ser melhor ? 

Assim como a fênix representa os resilientes, existe um ser mitológico que representa os antifrágeis …

A Hidra de Lerna

De acordo com a mitologia, a hidra tinha o corpo de Dragão e várias cabeças de serpente. E sempre que você cortava uma de suas cabeças, outras duas nasciam no lugar. Benefício em dose dupla.

Hidra de Lerna com três cabeças antes de ser golpeada, e após o golpe, com quatro cabeças.

Então toda vez que se ver diante de alguma ocasião desesperadora, lembre-se da Hidra e reflita : 

“ Como essa situação poderá me beneficiar ? ”

Conclusão

Toda pessoa que entra na jornada do autoconhecimento para se desenvolver, terá que ressignificar a vida em algum momento.

E você… já parou para ressignificar sua vida  ? 

Espero que tenha gostado deste texto e entendido porque o processo de ressignificação é importante para mantermos equilíbrio em nossas vidas. Lembre-se de que não são as coisas que te incomodam, mas seus julgamentos sobre estas coisas. 

Caso tenha gostado do conteúdo, fique a vontade para compartilhar um comentário comigo logo abaixo…

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